Os ventos levam as folhas.
Os calores secam as flores.
Os tempos apodrecem os frutos.
Os pombos comem as sementes.
Pelas intempéries extremas,
Pelas estações cíclicas,
Os caules apontam sempre ao céu.
Pois o solo nunca esquece:
Perfilha as memórias
Com açucares minerais.
A distância até à copa
É destrinchada pela saudade.
Existe querer atrás do Sol,
Além da sombra sazonal,
E debaixo das chuvas
Com firmeza nas verdades.
Há elos que nunca morrem,
Que apenas se renovam.
Hirtas amizades-raíz.