O que Fica das Pegadas

Poema de Mauro Hilário, lido pelo autor
O percurso do homem é estranho. / As nossas pegadas em tamanho
Poesia · Mauro Hilário

O percurso do homem é estranho.
As nossas pegadas em tamanho
Não rivalizam com as de dinossauros.
Mas em termos de impacto
É mais que indiscutível o facto,
Nós deixamos marcas sem restauros.

Desses gigantes titânicos
Nas lamas ficaram rastos orgânicos
Fora de dramas e longe de pânicos.
Agora, solas em aquecimento,
Sinais no pavimento de cimento.

O preconceito está feito!
O conceito está desfeito!
E para os nossos filhos,
São estes trilhos ou rastilhos?
Sem brilhos, seguem sarilhos.
Quem serão mais além?
Pessoas de bens ou pessoas de bem?

Teremos passado o nosso fastígio?
Estas impressões tão importantes,
Podem nem vir a deixar vestígio.
Sem conservantes, sem transplantes,
Prodígio intercala-se com litígio.
Como será relembrado o nosso prestígio?

Cinco dedos até ao último recurso,
Muitos medos nas pisadas do percurso.
Entre eterna pressão contundente,
Para o futuro, as pegadas mais potentes,
São as que ainda não foram assentes.