O verão mostra-se snobe,
Enquanto a temperatura sobe.
Nem a humidade cai do ar.
Mas o fogo? Tem algo a doar!
E não é só o mato ardido,
Ou o solo depois encardido.
A cesariana das labaredas
Rasga esperanças e veredas.
No abandono dos abrigos,
Fora prosseguem os perigos.
Dentro dum mundo que arde,
Quem foge não é cobarde.
Tanta folhagem dizimada,
Tanta árvore chamuscada.
Avança a emoção sem rédea.
É caos, é horror, é tragédia.
Fica fuligem nos esqueletos,
De esgares ocos mas pretos.
E abrem-se clareiras novas,
Sendo testemunhas e provas.
Oportunidade na desolação,
Pois nem tudo será em vão.
A floresta virou uma pária
Mas a sua dor é temporária.
Quando se dissipa o fumo,
O selvagem encontra rumo.
Haja fé nas sementes ainda:
O futuro já renasce da cinza.